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Projeto Incoko: outro lugar para se falar de arte.

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  Se há algo que se deve ter em abundância são lugares para se falar mais (e melhor) sobre arte. Precisamos democratizar o acesso e, também, ampliar o número de pontos de reverberação do que é feito em todos os lugares por tanta gente artista que nunca consegue furar a bolha do comum e do academicismo artístico. A arte é uma das coisas mais necessárias numa realidade social que tenta suprimir pessoas e pensamentos em prol de moldes, cabeças alienadas e ideias pré-concebidas. A liberdade que a arte traz não tem preço e precisamos falar sobre isso mais vezes!  Por isso estamos criando o Projeto Incoko ! Falar sobre arte deve ser algo que se possa a todo momento e sem restrição e/ou moderação. Incoko é uma palavra Xhosa para conversa, ideia, prosa, comunicação. Não é à toa que nasce. Vem para suprir lacunas, hiatos, crateras e ruídos de comunicação que, infelizmente, temos naquilo que está à venda em galerias ou exposto em museus e salas de arte e o povo que precisa saber como ac...

Abdoulaye Konaté e um Simbolismo Africano

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  Quem pensa que não exista um Simbolismo Africano eu vos trago a negativa a esta afirmação com um exemplo extremamente poderoso: a arte do artista malinês Abdoulaye Konaté. Este grande artista traz um elemento comum em quase toda a obra africana: a riqueza de símbolos; a opção pela evocação em vez de uma mera representação ou figuração da realidade e, não menos importante, uma noção exata de que símbolos são maneiras poderosas de se falar conotativamente de uma série de elementos presentes numa ou mais de uma culturas.  Não é à toa que a sua obra é pouco conhecida no chamado "ocidente" ou "norte global". Isto é parte de uma prática comum por tantas décadas (quiçá séculos) que é o apagamento de tudo que tenha origem e procedência no continente africano e/ou nas culturas afrodiaspóricas. Afora alguns campos como o esportivo, como exemplo maior, não há uma consideração profunda da artisticidade e estética africanas ou que se possa resumir no prefixo "afro". ...

O medo do escuro como forma de arte

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 Nada parece ser mais humano do que ter medo do escuro. Desde a nossa pré-história até nossos dias, nossa contemporaneidade, este medo provoca arrepios e assombra a todos nós de maneiras e intensidades diferentes, mas nunca deixa de estar a nossa espreita, na esquina pouco iluminada que temos que seguir para chegar em casa ou mesmo em diversas obras de arte que estamos a nos deparar dia após dia.  A imagem acima, capa do álbum da banda inglesa Iron Maiden, personifica (na música com mesmo nome "Fear of the Dark") este medo primário, atávico, que acompanha a nossa história do início ao fim.  E quando ele é tornado arte? Além da própria música, temos uma profusão de artes com esta temática sendo feita diariamente mundo afora. Da assustadora cinematografia asiática (crua e bem feita) até clássicos de nossa literatura, literatura mundial, de Stocker até Mary Shelley, passando por quase toda a obra de Edgar Allan Poe e Lovercraft. Temer e fazer arte andam pelas mesmas fronteir...

Alien X

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Uma de nossas perguntas mais remotas é sobre se estamos "sós" neste imenso Cosmos.  E esta não é uma pergunta qualquer.  Sempre que observamos a incontável série de galáxias,  supernovas e possibilidades de planetas que abriguem das mais variadas formas de vida, nós provavelmente inquirimos: estamos sós? Por que estaríamos?  A Arte também se faz esta mesma pergunta há tempos e produz um infinidade de ficção,  de imagens,  sons e personagens que,  fatalmente,  seriam histórias prováveis e peças deste enigma. A série X-Files,  se calhar,  ocupa o espaço mais lembrado e propagado por décadas. Um departamento esquecido de investigação destes temas faz parte do imaginário simbólico de gerações,  a incluir a minha. Tudo que é "estranho", "inexplicável" pela ciência e produz efeitos consideráveis nos EUA dos anos 90 do século XX caía sob a  perspectiva dos Agentes Mulder e Scully,  ele extremamente voltado a crer na presença alie...

Poema Cinza

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 Era um dia, outro dia de um mês de Maio  Pássaros faziam as pazes com o silêncio  Ninguém à janela  Apenas uma senhora estendendo só e calada  Roupas sem cor  Ante o preto da sobriedade  E o branco de uma saudade contida  Um cinza constante  Certamente havia um cais naquela tristeza  Não estava esquecida a noite vazia  Cadeiras espalhadas  Jornais amassados e recortados nas manchetes  Tudo cheirava à poeira da rotina  O ar estava circunflexo  A cor desbotara gota a gota  Se o tempo inteiro não passasse  Não haveria ninguém,  não haveria  E sobre a mesa uma pobre chávena pequenina  Junto a rascunhos e borrões de uma poesia Se o mundo falasse  Tivesse ao menos lábios pequeninos Ali nada diria  Nada faria  Tudo é um desespero brando  A meia luz Um poema cinza  Eustáquio ASy. 

Arte de um Autista Negro

Eu sou um Autista negro diagnosticado adulto,  após os 40 anos de idade.  A frase acima tem uma infinidade de camadas e significados,  mas um se destaca dentre outros: sou um ser em retorno. Retorno a mim como eu sempre fui e não como eu pensava que fosse ou como outras pessoas me viam e me veem até hoje.  Em primeiro lugar preciso lidar em ser uma pessoa com deficiência.  O TEA, per se, é uma deficiência oculta e pertencer ao grupo de pessoas com deficiência (PCD) trás consigo o alívio de "não ser errado", no entanto,  torna-me vulnerável a mais uma forma de preconceito.  Outrora a opressão do racismo, agora a opressão do racismo com o plus do capacitismo. Não é fácil. Porém,  decerto, é menos danoso do que o masking constante. O fingir ser "normal" para ser "passável". Isso dói demais.  E a arte? A Arte aqui é bálsamo, terapia, recobrar um caminho, uma Encruzilhada que me guia a outro percurso, com identidade,  com novas emoções, ...