Arte de um Autista Negro
Eu sou um Autista negro diagnosticado adulto, após os 40 anos de idade.
A frase acima tem uma infinidade de camadas e significados, mas um se destaca dentre outros: sou um ser em retorno. Retorno a mim como eu sempre fui e não como eu pensava que fosse ou como outras pessoas me viam e me veem até hoje.
Em primeiro lugar preciso lidar em ser uma pessoa com deficiência. O TEA, per se, é uma deficiência oculta e pertencer ao grupo de pessoas com deficiência (PCD) trás consigo o alívio de "não ser errado", no entanto, torna-me vulnerável a mais uma forma de preconceito. Outrora a opressão do racismo, agora a opressão do racismo com o plus do capacitismo. Não é fácil. Porém, decerto, é menos danoso do que o masking constante. O fingir ser "normal" para ser "passável". Isso dói demais.
E a arte? A Arte aqui é bálsamo, terapia, recobrar um caminho, uma Encruzilhada que me guia a outro percurso, com identidade, com novas emoções, descobertas, abismos. O novo parece ser sempre perigoso, tura você de uma pseudo zona de conforto. E isso é necessário a um Neurodivergente.
Já diz a sabedoria Sankofa: não é vergonha voltar ao passado e ir buscar aquilo que seja urgente ser trazido. É isso que farei com a minha ida a mim mesmo através da arte. Vejam! Tudo é caminho!
A minha arte mudou. A minha estética (minha teoria dos Sentidos) mudou, minha cosmopercepção mudou. A vida é outra, logo a visão artística também o é.
Agora assino ASy. Um apelido cheio de importância para mim desde o diagnóstico. Já tinha, mas para já agora tem outra vivência. ASy, assim como eu, igual a mim, deixa de ser um nome e passar a ser subjetivo, identitário, propositivo sobre mim. Igual a mim, meu eu decidida e reconhecidamente Autista. E tudo isso graças à arte, com a arte, a partir da arte.
ASy.