Abdoulaye Konaté e um Simbolismo Africano

 


Quem pensa que não exista um Simbolismo Africano eu vos trago a negativa a esta afirmação com um exemplo extremamente poderoso: a arte do artista malinês Abdoulaye Konaté. Este grande artista traz um elemento comum em quase toda a obra africana: a riqueza de símbolos; a opção pela evocação em vez de uma mera representação ou figuração da realidade e, não menos importante, uma noção exata de que símbolos são maneiras poderosas de se falar conotativamente de uma série de elementos presentes numa ou mais de uma culturas. 


Não é à toa que a sua obra é pouco conhecida no chamado "ocidente" ou "norte global". Isto é parte de uma prática comum por tantas décadas (quiçá séculos) que é o apagamento de tudo que tenha origem e procedência no continente africano e/ou nas culturas afrodiaspóricas. Afora alguns campos como o esportivo, como exemplo maior, não há uma consideração profunda da artisticidade e estética africanas ou que se possa resumir no prefixo "afro". 


Konaté é "apagado" como tanta gente de África ou de sua Diáspora de forma desvelada e intencional em prol de se falar de um eixo cultural, filosófico e social com fundamentos no velho continente. Mesmo artistas radicados em Europa que sejam de África sofrem desta mesma prática até hoje. Mas isto não apaga a genialidade, pois a mesma velocidade digital que esconde também é veículo constante para que descubramos riquezas e forças artísticas como a dele e de tantas pessoas da Terra-Mãe. 


Apesar de não constituir uma corrente (escola) artística nos moldes do simbolismo com origens em França e Bélgica, o Simbolismo Africano é desde sempre componente da arte presente em máscaras, esculturas, pinturas de tecido, arquitetura e tanto mais da África. Konaté só é mais uma prova viva desta regra de inspiração e criatividade africanas. Se ele não é conhecido do público maior, assim o será cada vez que aparecer em espaços singelos como estes e daqui for replicado, citado, reproduzido, refeito e redimensionado sempre que for o caso e merecimento pela grandiosidade de sua obra. 


Aqui a Arte Africana será disposta com iniciais maiúscula, como lhe é devido e sua fonte inesgotável de inspiração será reconhecida. Assim como Abdoulaye Konaté outras fontes aparecerão aqui, do passado, do presente e aquelas que, por ventura, apontem para um futuro, um futuro como o Adinkra (fonte imemorial de simbolismo em África) como a Sankofa puser a giganteza africana em primeiro plano. 


Eustáquio ASy. 

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