O medo do escuro como forma de arte
Nada parece ser mais humano do que ter medo do escuro. Desde a nossa pré-história até nossos dias, nossa contemporaneidade, este medo provoca arrepios e assombra a todos nós de maneiras e intensidades diferentes, mas nunca deixa de estar a nossa espreita, na esquina pouco iluminada que temos que seguir para chegar em casa ou mesmo em diversas obras de arte que estamos a nos deparar dia após dia.
A imagem acima, capa do álbum da banda inglesa Iron Maiden, personifica (na música com mesmo nome "Fear of the Dark") este medo primário, atávico, que acompanha a nossa história do início ao fim.
E quando ele é tornado arte? Além da própria música, temos uma profusão de artes com esta temática sendo feita diariamente mundo afora. Da assustadora cinematografia asiática (crua e bem feita) até clássicos de nossa literatura, literatura mundial, de Stocker até Mary Shelley, passando por quase toda a obra de Edgar Allan Poe e Lovercraft. Temer e fazer arte andam pelas mesmas fronteiras há muito tempo. O escuro ou a escuridão tem a indistinção, tudo que não pode ser visto, mesmo que não exista de forma concreta, e isto por si só causa calafrios e pelos arrepiados no corpo todo.
A arte soube explorar muito bem diversas formas de se ter medo do escuro e não é algo novo. O século XVIII começou a produzir textos e teatro a respeito indiscriminadamente. Fomos atordoados e bombardeados com medo no espaço, numa união com a ficção científica e fantasia como no "Alien, o Oitavo Passageiro"; na mitologia e espiritualidade de várias épocas e locais. Com preconceitos disseminados como o sobre a cultura Vodu e da Santería, por exemplo. Até mesmo as grandes religiões monoteístas, como o cristianismo, souberam incluir, sob os mais variados pretextos, esta noção do escuro como associado ao diabo, ou a personificação do mal.
O fato é que o medo do escuro faz emergir emoções genuínas e primárias em todos os indivíduos de nossa espécie, sejamos mais resistentes a este medo ou não. Sempre temos um ponto de terror. E a arte de Giger, de inúmeras bandas e intérpretes musicais, de peças e cinemas, até as séries televisivas e do streaming contemporâneo. Não houve lugar no qual o medo do escuro não fosse tornado arte.
E este texto apenas desperta essa sensação de "alguém que está sempre lá no escuro" ou "algo que nos desperta fobias", e nem pode em tão pouco conteúdo esgotar a temática. Mas pode exortar para que este campo da arte não terminará enquanto existir humanidade e sempre poderá nascer lá onde não queremos estar nem queremos supor que haja algo ou alguém, mas sempre há, decerto sempre há...
Eustáquio ASy.
