In Verbum Veritas
Todas as nossas palavras, neste século 21, importam.
Vivemos entre bilhões de iguais, centenas de línguas, milhares de dialetos e uma incontável soma de barulhos, ruídos, algo balbuciado, gritado, berrado ou simplesmente sussurrando. Nunca emitimos tantos sons e quebramos tantas vezes o silêncio quanto neste punhado de tempo ao qual chamamos agora.
As palavras se multiplicam desordenadamente numa ordem tal que é difícil comunicar, enunciar e compreender e criar discursos, mas, num sentido inversamente proporcional, nós sonorizamos a realidade, anseios e ódios, raivas e morbidez pura que chamamos de desejos.
E a arte tem um papel especial neste falatório todo: dizer. Dizer que sempre foi diferente de falar e de simplesmente palrar. A arte deve filtrar diálogos, criterizar falas e transformá-las em dizeres. Precisamos saber, como é o cognoscível de nossa espécie: seres que sabem que sabem.
Enquanto artista e pensador, eu reflito e no que reflito chego à conclusão iminente: precisamos dizer urgentemente! O título deste texto "In verbum veritas" é de nosso tempo uma máxima refletora. A estética de nossa experiência humana deve ser uma arte refinada de dizer e dizer cada vez mais propriamente.
Portanto, vamos às palavras como jamais fomos antes. A arte, de qualquer matiz ou natureza, precisa falar, ou melhor, dizer com propriedade e com um fim: criar comunicação. Do contrário, iremos fazer barulhos nucleares, tóxicos, radioativos e sucumbiram antes de dizer qualquer palavra que seja.
O AfroRecifense.